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UE ainda vê chance de negociação com a Grécia; bancos são fechados




O comissário de Assuntos Econômicos e Financeiros da União Europeia (UE), Pierre Moscovici, afirmou nesta segunda-feira (29) que ainda existe margem de negociação com a Grécia, país que está cada vez mais próximo de dar calote no Fundo Monetário Internacional (FMI) e deixar a zona do euro.

Segundo ele, o presidente da Comissão Europeia (CE, órgão executivo da União Europeia), Jean-Claude Juncker, fará nova propostas para tentar evitar que o país deixe a moeda única.

“Juncker vai indicar o caminho a seguir. Espero que todo mundo pegue a via do compromisso”, disse o comissário em entrevista concedida à emissora “RTL”.

A Grécia amanheceu nesta segunda-feira (29) com agências fechadas após a imposição de um feriado bancário e o anúncio de medidas de controle de capitais.

Os bancos ficarão fechados até o dia 6 de julho e os caixas eletrônicos terão limite diário de saque de € 60. Não haverá limite no caso de pagamentos de pensões.

Já os turistas estrangeiros e qualquer pessoa com um cartão de crédito emitido fora da Grécianão serão afetados pelos controles de capitais.

A bolsa de valores de Atenas também será fechada enquanto o governo tenta gerenciar as consequências financeiras da discordância com a UE e o FMI.

RESUMO DO CASO:
– A Grécia enfrenta uma forte crise econômica por ter gastado mais do que podia
– Essa dívida foi financiada por empréstimos do FMI e do resto da Europa
– Neste terça-feira, vence uma parcela de € 1,6 bilhão da dívida com o FMI, mas o país depende de recursos da Europa para conseguir fazer o pagamento
– Os europeus, no entanto, exigem que o país corte gastos e pensões para liberar os recursos
– No final de semana, o primeiro-ministro grego convocou um referendo para saber se os gregos concordam com as condições europeias para o empréstimo
– Como a crise ficou mais grave, os bancos ficarão fechados até sexta-feira para evitar que os gregos saquem tudo o que têm e quebrem as instituições
– Se a Grécia não pagar o FMI, entrará em “default”, o que pode resultar na saída do país da zona do euro
– A saída não é automática e, se acontecer, pode demorar. Não existe um mecanismo de “expulsão” de um país da zona do euro. Um estudo aponta que essa possibilidade é de 60%.
– Se o calote realmente acontecer, a Grécia deve ser suspensa do Eurogrupo e do conselho do BC europeu.
– A Europa pressiona para que a Grécia aceite as condições e fique na região. Isso porque uma saída pode prejudicar a confiança do mundo na região e na moeda única.
– Para a Grécia, a saída do euro significa retomar o controle sobre sua política monetária (que hoje é “terceirizada” para o BC europeu), o que pode ajudar nas exportações, entre outras coisas, mas também deve fechar o país para a entrada de capital estrangeiro e agravar a crise econômica.

País em crise
O país tem até terça (30) para pagar € 1,6 bilhão ao FMI e depende de um empréstimo dos outros países europeus para fazer esse pagamento. Mas, no fim de semana, o primeiro-ministro grego decidiu que vai fazer um referendo no próximo dia 5 para saber se aceita as condições desse empréstimo, que incluem alta de impostos e cortes nas aposentadorias. Com isso, o país deve dar o calote no FMI e pode acabar deixando a zona do euro.

Após as conversas com os credores do país falharem no fim de semana, o Banco Central Europeu (BCE) congelou o financiamento aos bancos gregos. Atenas foi forçada a fechar os bancos para evitar o colapso das instituições, depois de muitos gregos terem feito fila para sacar dinheiro.

O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, disse que a decisão de rejeitar o pedido da Grécia para uma curta extensão do programa de resgate foi “um ato sem precedentes” que pôs em foco a capacidade de um país de decidir uma questão que afeta os seus direitos soberanos.

“Esta decisão levou o BCE hoje [domingo] a limitar a liquidez disponível para os bancos gregos e forçou o banco central grego a propor um feriado bancário e restrições em saques bancários”, afirmou ele em discurso televisionado.

Pensionistas são vistos em frente a agência do Banco Nacional da Grécia fechada nesta segunda-feira (29), em Atenas  (Foto: REUTERS/Yannis Behrakis)Pensionistas são vistos em frente a agência do Banco Nacional da Grécia fechada nesta segunda-feira (29), em Atenas (Foto: REUTERS/Yannis Behrakis)

Entenda
Em meio ao drama na Grécia, onde uma clara maioria quer permanecer na zona do euro, os próximos dias apresentam um grande desafio para a integridade do bloco de moeda única. As consequências para os mercados e para o sistema financeiro mais amplo não são claras.

O governo de esquerda da Grécia vinha há meses negociando um acordo para liberar financiamento a tempo de pagar o FMI. Mas nas primeiras horas do sábado, Tspiras pediu um prazo extra para permitir que os gregos votassem em um referendo sobre os termos do acordo. Credores recusaram esse pedido, deixando pouca opção para a Grécia que não o calote, adicionando ainda mais pressão sobre o sistema bancário do país.

Os credores querem que a Grécia corte pensões e aumente impostos, medidas que Tsipras sempre argumentou que aprofundariam uma das piores crises econômicas do país, onde um quarto da força de trabalho já está desempregada.

Partidos de oposição gregos se uniram para condenar a decisão de convocar o referendo sobre os termos de resgate, mas muitas pessoas são favoráveis. “Quero que ele [Tsipras] bata com o punho na mesa e diga ‘basta!'”, disse a moradora de Atenas Evgenoula.

Muitos economistas expressaram simpatia com o argumento do governo grego de que novos cortes nos gastos arriscariam sufocar o crescimento do país.

O FMI tem pressionado os governos europeus a aliviar o peso da dívida de Atenas, algo que a maioria diz que só irá ocorrer quando a Grécia primeiro mostrar cortes no seu orçamento.

Acordo ainda possível
Os outros 18 países do bloco têm culpado a Grécia por romper negociações e comprometeram-se a fazer o que for preciso para estabilizar a área da moeda comum. Ainda no domingo, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, afirmou que estava em contato com todos os governos da zona do euro para assegurar que a Grécia permanecesse na área de moeda única.

Diversas autoridades disseram que ainda havia tempo hábil para um retorno à mesa de negociações. A diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, afirmou que se o voto no dia 5 de julho produzir “um sim retumbante” pela permanência no euro e correção da economia grega, os credores estarão dispostos a fazer um esforço.

G1


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