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Ronda no Bairro completa 30 dias do patrulhamento de proximidade

Há cinco anos, o mototaxista Adônis Macedo tem como local de trabalho uma das esquinas pertencentes à área comercial do Jacintinho, enquanto espera por um passageiro é cumprimentado por patrulheiros de proximidade do Programa Ronda no Bairro e não vacila em desejar um bom trabalho aos agentes de segurança pública nem em afirmar: “O trabalho de vocês é excelente e necessário, está dando certo e as pessoas estão se sentindo seguras. O povo precisava disso”.

 

A cena descrita se tornou parte do cotidiano dos moradores, comerciantes, feirantes e frequentadores de um dos bairros mais frenéticos, populosos e peculiares de Maceió. Neste domingo (04), o Ronda completa 30 dias de atuação em seu perímetro piloto, tempo suficiente para cair nas graças da população e sua expansão ser desejada por moradores de outros tantos bairros da capital e até mesmo municípios alagoanos.

A filosofia de trabalho empregada já foi muito estudada, difundida e executada em diversos países do mundo e por alguns dos estados brasileiros. Por aqui, o programa foi além, e tem por base quatro eixos de atuação: segurança de proximidade; abordagem social/comunitária; atenção à população em situação de vulnerabilidade social e articulação para a requalificação de espaços de convivência mútua degradados.

 

Fomentar o intercâmbio de ações entre órgãos e secretarias estaduais e municipais pode ser considerado um ponto importante para os números iniciais apresentados pelo programa. Sob a responsabilidade das Secretarias de Estado da Segurança Pública (SSP), de Prevenção à Violência (Seprev), da Assistência e Desenvolvimento Social (Seades) e da Ressocialização e Inclusão Social (Seris), a coordenação do Ronda no Bairro firmou diversas parcerias com entidades públicas.

 

Operações integradas

 

No âmbito operacional, a série de abordagens realizadas a coletivos e a veículos de passageiros em conjunto com os Batalhões de Polícia de Trânsito (BPtran) e de Eventos (BPE), a Força Tarefa de Segurança Pública (FTS) e a Operação Lei Seca, além do patrulhamento de proximidade diário, contribuíram para o fato de não haver registro de ocorrências graves dentro dos horários e no perímetro de cobertura do Ronda.

 

Todas as ações visam mediar conflitos urbanos e enfrentar o Crime Violento Contra o Patrimônio (CVP) – caracterizado pelo furto, roubo e depredação de prédios e espaços públicos. As ações acontecem em total alinhamento com o Centro Integrado Operacional de Segurança Pública (Ciosp), com o Videomonitoramento de Maceió, o Disque Denúncia (181) e o Serviço de Inteligência do Sistema de Segurança Pública.

A Polícia Civil também alinhou demandas junto ao programa, tendo em vista que as funções desenvolvidas pela corporação são de grande valia para o Ronda.

 

Encaminhamento de casos

 

A Equipe de Mobilização Social do programa, composta por uma psicolóloga, uma assistente social e uma cientista social, identificou e encaminhou para órgãos competentes alguns casos. Dois dependentes químicos foram direcionados para a Rede Acolhe, da Seprev; um caso referenciado de pessoa em situação de rua; uma tentativa de suicídio frustrada (Caps-ad); e dois casos envolvendo a Lei Maria Penha, um flagrante e um encaminhamento, para dar suporte as vítimas desses crimes, o Ronda conta com o apoio da Secretaria de Estado da Mulher e dos Direitos Humanos (Semudh).

Intervenções socioculturais

 

No campo social, o rol de avanços chama a atenção. Após visitar cerca de 300 estabelecimentos comerciais, escolas estaduais e municipais, além de identificar e se reunir com líderes religiosos e comunitários, a equipe de mobilização social conseguiu traçar um diagnóstico sociocultural do bairro.

 

As observações oriundas a partir da escuta desses atores tornou possível a identificação das necessidades da comunidade, dando início ao processo de articulação para dirimir as lacunas que criam condições favoráveis para a violência social. A comunidade sentia-se acuada e privada da utilização de espaços de convivência mútua, a exemplo da Praça do Mirante, onde fica localizada a Casa de Direitos. Mal-iluminado e com equipamentos físicos deteriorados, o local deixou de ser frequentado pelas pessoas.

 

Para solucionar a questão, a coordenação do Ronda enviou solicitações para a Secretaria Municipal de Energia e Iluminação Pública (Sima), que trocou as lâmpadas danificadas dos postes, e firmou parceria com a Secretaria Municipal do Desenvolvimento Sustentável (Semds), por meio do projeto “Planta Maceió” para rearborizar o espaço e também para os devidos reparos nos bancos, na quadra de esporte e nos brinquedos infantis. Nesse ponto, a Seris, através do projeto “Uma Nova História” – que oportuniza aos reeducandos aprender uma nova profissão – contribui com a concessão da mão-de-obra para a limpeza e recuperação desses equipamentos.

 

O próximo passo foi proporcionar atividades para que as pessoas pudessem novamente ocupar a praça com qualidade. Com a segurança restabelecida, em conjunto com a comunidade e após contatar grupos culturais e artísticos, criou-se uma agenda de atrações para o local: rodas de diálogo entre jovens e atletas alagoanos; aulas de zumba; aulas de capoeira; ginástica laboral e funcional; resgate das brincadeiras tradicionais com a equipe social do programa; cineminha na praça; encontros de hip hop; ensaios de coco de roda e apresentações musicais.

 

Os eventos também contam com o apoio do Instituto do Meio Ambiente (IMA), da Seprev; da Seades e a participação dos Patrulheiros Mirins da Base Comunitária do Jacintinho, projeto desenvolvido pela Polícia Militar de Alagoas (PMAL).

“Os eventos no mirante são maravilhosos, é uma felicidade poder vir a um espaço como esse e ter segurança. Estou muito feliz por ter o Ronda no Bairro”, exultou a senhora Maura Leal, moradora do Jacintinho há 54 anos.

 

A Secretaria de Estado do Esporte, Lazer e Juventude (Selaj) irá se unir em breve ao Ronda no Bairro através do programa “Na Base do Esporte”, bem como a Superintendência de Limpeza Urbana (Slum) com palestras e oficinas de cunho educativo, com o objetivo de conscientizar as pessoas sobre a importância da reciclagem.

 

A Companhia Teatral A Cambada, fundada e composta por moradores do Jacintinho, passará a ministrar aulas de teatro, de dança e tem planos de encenar  a Paixão de Cristo e o auto de Natal na Praça do Mirante.

 

Mais sobre o programa

 

O Decreto de Nº 57.008, de 2 de janeiro de 2018, instituiu o Programa Ronda no Bairro e, os militares voluntários executam as funções em seu período de folga, concorrendo a oito serviços, em concordância com a Lei Estadual Nº 7.952, de 12 de dezembro de 2017, referente ao Serviço Voluntário Remunerado (SVR) de oito horas.

 

60 policiais militares da reserva e da ativa atuam na área comercial do Jacintinho, em dois turnos de serviço. As patrulhas realizam rondas a pé, de moto e de bicicleta. E todas as abordagens realizadas pelas patrulhas devem ser filmadas e armazenadas num servidor do Instituto de Tecnologia em Informática e Informação (Itec).

 

O planejamento para a expansão do Ronda está pronto e, assim que se alcançar o número ideal de voluntários da ativa (PMAL e CBMAL), áreas comerciais de outros bairros da capital serão beneficiadas.

 

“O programa está conseguindo atingir seus objetivos. As pessoas sentem-se seguras, o perímetro está sob controle e os espaços públicos voltaram a ser ocupados por pessoas honestas, trabalhadoras e que merecem toda a atenção que estão recebendo por parte de nossas equipes. Estou muito feliz com os resultados desses 30 dias iniciais”, concluiu o coordenador-geral do Ronda no Bairro, coronel RR Maxwell Santos.

AGÊNCIA ALAGOAS


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