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O voto e atuação religiosa na eleição para conselheiro tutelar em nove pontos.




 
[…]Se compadecerá com grande amor, porque é contra o seu desejo humilhar e castigar os homens, esmagar sob os pés os prisioneiros todos da terra, negar o direito do homem o lesando no processo[…] (Lamentações 3, 32-36)  

Difícil termos um candidato que não professe alguma religião. A dificuldade começa quando um religioso baseado no fundamento de sua crença deseja exercer a visão do seu credo sobre as estruturas de estado fazendo-as funcionar segundo a ótica de suas convicções religiosas.
Com sentido profilático aí vai…

1° – O voto religioso sempre obedecerá os limites da sua fé. Quais são esses limites e quem os estabelece? O limite primário vem da interpretação feita pela liderança (padre ou pastor) do livro sagrado (Bíblia) e os secundários de livros de catequese, discipulados e documentos oficiais que por ela são produzidos como formação complementar de suas respectivas membresias.

2º – Tenho verdadeiro horror a expressão como “ética bíblica” para solucionar questões da sociedade contemporânea. O que é e essa ética se não uma interpretação do texto crido como sagrado sobre o mundo? Ética bíblica é algo subjetivo e posso até dizer inventado pela vontade de interpretação das diferentes correntes cristãs cada uma com sua moral fundamental. Essa expressão tem sua funcionalidade dentro do universo eclesiástico, mas não deve em nem pode ser aplicada a questões envolvendo a cidadania da criança e adolescente dado o grau de sua subjetividade de interpretações absurdas das quais já temos ciência de textos tão antigos.

3º – Manifesto minha preocupação com candidatos dito cristãos alinhados a bancada da “bíblia, bala, boi, jaula” e que de modo raso sem estudos mais detalhados e dados reais desejam pura e simplesmente a redução da maior idade penal no Brasil como solução para a violência juvenil.

4º – Para o conselheiro tutelar a bíblia não pode estar acima da constituição federal em do ECA –Estatuto da criança e do adolescente na prática do oficio de conselheiro. A pergunta para ser feita ao religioso que se candidata é: Para você a bíblia está cima da leis? Acredito que a resposta será sim porque é a igreja e o livro sagrado que dão manutenção e sentido a essas candidaturas. Sendo assim, a crise já está instalada. Como separar minha vida ligada ao livro sagrado das atuações práticas no meu dia a dia?

5º – Deixo claro que não estou condenando a ética presente no velho testamento baseada ou a do novo testamente presente nas cartas do apóstolo Paulo que são resultado das construções típicas de sua época. Mas, se pudesse escolher ficaria somente com a ética descrita nos evangelhos para mim a única aceitável oriunda do campo pensamento cristão.

6° – Não faz bem ver candidatos com sobrenome do tipo “da igreja”, catequista”, “professor de escola bíblica.” Etc. Fica evidente a tentativa de validação da candidatura através da ligação religiosa que serve de trampolim para conceder um “certificado de honestidade social” para o candidato que se auto denomina ligado ao próprio Deus através dos seus ofícios religiosos.

7º – Não deve ser votado um religioso que acredita ter a intepretação do texto agrado única e definitiva, e que não tem dúvida da necessidade da conversão de pessoas de outros credos porque é uma figura não democrática dentro do espaço da democracia. A pergunta: Não vivemos numa democracia então todos não tem o direito de se expressar? Tem sim. Mas, quando a fala fere a democracia deve ser rechaçada seja ou não religiosa.

8º – Só vote num religioso praticante se ele estiver comprometido com a mudança do paradigma sócia através do espaço coletivo de ideias. Caso contrário deve ser descartado.

9º A pregação de chamado a conversão tem seu espaço na democracia sem dúvida como convite a assumir uma vida comunitária, mas não pode ser imposta. Falas de salvação e condenação eternas baseadas em critérios interpretativos de qualquer livro sagrado produz na cabeça do religioso praticante um cidadão “salvo de primeira classe” que é ele e um outro “condenado de segunda classe.” Se o candidato defende isso não deve ser votado porque isso é criação de casta do tipo indiana.

Por fim o voto num religioso deve ser bem analisado para depois não cairmos na armadilha da instrumentalização da esfera pública para fins teológicos de uma ou mais comunidades religiosas.

Let’s block ads! (Why?)

Source: Correio Notícia


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