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Natal Luz de Tapera esconde desvio de dinheiro público e povo morrendo sem água e comida




Um dos grandes sucessos da dupla Bruno e Marrone – Isso Cê Num Conta – bem que poderia ser adotado como hino de muitos políticos em Alagoas.

Em São José da Tapera, no Sertão de Alagoas, a música virou ‘febre’ quando se fala sobre a administração do grupo que levou o atual prefeito, José Antônio Cavalcante (PSB), ao poder.

A má gestão – proposital – desse grupo que faz rodizio há cerca de 30 anos na cadeira de prefeito de Tapera leva o município – de novo e negativamente – as páginas da imprensa nacional.

Mesmo sem acreditar em coincidência, me faço a pergunta: Será que Bruno e Marrone fizeram essa música a pedido de alguém de Tapera ?

A ação da ONG Análise Sorriso do Bem em parceria com o grupo de Encontro de Casais (ECC) da igreja Rosa Mística, em Maceió e o Projeto Sertão Vivo que levou comida e água para famílias taperenses, moradoras de comunidades pobres encravadas nos diversos Povoados do município, ressuscitou antigos fantasmas. 

Seria mais uma ação de espírito natalino se não fosse por uma realidade que os ricos gestores tentam esconder. Na maioria dos sítios em Tapera, as famílias, que também são eleitores, não tem água pra tomar, nem comida na mesa e muitos apresentam problemas psicológicos. Crianças e idosos desnutridos e esquecidos pelo poder público. Na ajuda humanitária que chegou através de doações, muitos voluntários entraram em choque ao se depararem com a extrema pobreza. Em algumas casas, muitas ainda de taipa e sem energia elétrica, alguns idosos não conseguem ficar de pé e mulheres nos últimos meses de gestação nunca tiveram contato com a Saúde Pública pois não conseguem andar sob um sol de quase 41 graus, a pé, por quase 12 quilômetros para tentarem um atendimento médico.

Muitas crianças estão fora da escola porque não tem o que vestir, nem calçar e os pais não tem dinheiro para comprar um caderno e o lápis, itens prometidos pelo município, mas que não é entregue a todos os alunos, o que já gerou uma investigação por parte do Ministério Público. Por outro lado, em poucas casas, as crianças que vão à escola não vão para aprender, mais para poderem comer o que a prefeitura chama de ‘merenda’, que é pão velho sem nada dentro com suco de qualidade duvidoso.

Renato Prado, integrante do projeto de ajuda humanitária, conta que há três anos famílias e empresas em Maceió e em outras cidades participam do Natal Solidário.

“Começamos com seis famílias e hoje, diante do que encontramos, a ajuda assiste quase 350 pessoas. Somente neste final de semana vamos entregar 7 toneladas de alimentos, água e roupas, além de medicamentos e até material escolar. Muitas e muitas famílias nos sítios enfrentam extrema pobreza. A vida deles é quase um filme de terror. Não dá para explicar. As pessoas têm de ver. Sob a passividade dos políticos de São José da Tapera as pessoas estão morrendo de fome e sede. Em algumas casas, quando chegamos, só tinha sal para comer e em outros lares o prato da semana era um pedaço de cassaco para a família inteira”, disse ele.

A coordenadora do projeto, Neuzete Domingos, disse que quando foi feito o mapeamento das famílias que receberiam as doações, a maioria dos voluntários choraram abraçados com as famílias.

“É inadmissível. Uma cidade com um Centro comercial embelezado para mascarar o que acontece nos povoados. As pessoas parecem com os prisioneiros dos campos de concentração nazistas. Ninguém tem expectativa de melhorias, ninguém fala em saúde ou educação porque não tem acesso. Imagine tomar água através de processo de ebulição e 300 gramas de feijão dá para um mês em uma casa com oito pessoas? É uma chacina. Não tem outra explicação”.

Mas enquanto os pobres padecem, o grupo da gestão se farta.

Se utilizando das redes sociais o prefeito José Antônio faz espetáculo com a pífia decoração natalina da cidade, intitulada Natal Luz. A festividade, que terá início no próximo dia 23, data que culmina com a Emancipação Política de Tapera, trará bandas e cantores nacionais.

Mas na administração do grupo que levou ele a prefeitura nem tudo é festa.

Alvo de auditorias, o Instituto da Previdência dos Servidores Públicos do Município de São José da Tapera (IAPREV), por pouco não levou a cassação de José Antônio. A primeira investigação aconteceu em 2014, durante a gestão do ex-prefeito Jarbas Pereira Ricardo, que apoiou a candidatura do atual prefeito. Na época foram encontradas diversas irregularidades na condução do manuseio do dinheiro, gerando uma notificação e, posteriormente, um processo administrativo previdenciário. Na segunda auditoria, já com o prefeito José Antônio, foi descoberto que entre janeiro a agosto de 2017, a prática ilegal continuava. O ex-prefeito Jarbas Ricardo, que tenta voltar ao cargo, foi preso este ano pela Polícia Federal (PF) acusado de desviar R$ 5,4 milhões em 17 dias.

O dinheiro é parte dos R$ 31,8 milhões de precatórios creditados na conta da Prefeitura de São José da Tapera, a título de pagamento dos restos a pagar do antigo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef).

Ainda sobre o escândalo do IAPREV, valor que o atual prefeito alega que tenta pagar através de parcelamentos, mas que está em débito desde o ano passado, um novo fato tem deixado a população em alerta.

José Antônio tenta com os vereadores a aprovação de um novo parcelamento. Dessa vez o prefeito quer o aval da Câmara para amortecer a histórica dívida para R$ 11 milhões, embora especialistas na área estimem que o verdadeiro valor é de quase R$ 20 milhões.

É, vou ficando por aqui. Agora, tá na hora de continuar ouvindo o Bruno e Marrone, ‘Isso Cê Num Conta’. Eita música boa!

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Source: Correio Notícia


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