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Livro de sociólogo traça perfil de cortadores de cana de Alagoas

O livro Os homens-cangurus dos canaviais alagoanos: um estudo sobre trabalho e saúde, do sociólogo Lúcio Vasconcelos de Verçoza, editado pela Editora da Universidade Federal de Alagoas (Edufal), será lançado em Maceió na sexta-feira, 19 de outubro, a partir das 19h, no Complexo Cultural Tetro Deodoro. A obra é resultado da premiação de melhor tese sobre os fenômenos relacionados ao mundo rural brasileiro/Rede de Estudos Rurais, no doutorado na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), recebendo o Prêmio Maria de Nazareth Baudel Wanderley, em 2016.

O professor universitário é graduado em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Alagoas, mestre e doutor em Sociologia pela UFSCar e integra o Grupo de Pesquisa do CNPq Terra, Trabalho, Memórias e Migração. “O principal desafio da tese foi articular duas perspectivas de análise – saúde e sociologia – que costumam caminhar separadas”, diz o autor. No caminho, foram sendo conhecidos vários trabalhadores e ex-cortadores de cana, que conviviam com dores, cãibras, cicatrizes no corpo e na alma. “Os relatos eram recorrentes”, comenta Lúcio, explicando que grande parte desses trabalhadores não consegue mais se empregar no corte da cana. “Existem enormes dificuldades para se comprovar o nexo casual entre o trabalho e o adoecimento”, completa.

A pesquisa analisou a saúde física dos trabalhadores canavieiros, articulada ao sofrimento moral e psíquico, visando contribuir para as reflexões sobre a relação entre o trabalho do corte de cana e o adoecimento dos trabalhadores. O estudo comprova que excesso de trabalho e jornadas de até 11 horas elevam a carga cardiovascular e provocam “distúrbio hidroeletrolítico” nos cortadores.

Homens-cangurus

Esse “distúrbio hidroeletrolítico” é o “canguru”, que nos canaviais paulistas é chamado de “birôla”, fenômeno extremo de perda de controle sobre os movimentos do corpo. “Trava braço, barriga e perna. Alguns chegam a ter cãibra até na língua. A pessoa fica imobilizada, com o braço colado junto ao corpo. Daí o nome canguru”, explica o sociólogo, que ressalta: “nos canaviais de Alagoas, a exploração é levada ao extremo, anulando até o futuro do trabalhador. Muitos ficam incapacitados ainda em idade produtiva”.

Segundo Lúcio Verçosa, o “canguru” é resultado de fatores sociais que escrevem a história de Alagoas. “Essas pessoas vivem, infelizmente, a vida inteira sob a ponta do facão”, alerta. O livro pode ser encontrado na Editora Universitária, que tem sede no Campus A. C. Simões e duas extensões: Espaço Cultural, na Praça Sinimbú e Campus do Sertão, em Delmiro Gouveia. Também é possível encontrar no site www.edufal.com.br .

Fonte: ALAGOAS ALERTA


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